Inauguro o espaço cedido pelo amigo Homero com um texto reflexão sobre recente experência que tive.
Prometo raros “textos reflexões”, afinal de contas Homerão disse que era pra me sentir em casa, e quando estou em casa evito refletir, já que tenho mulher, filha, cachorra e video game pra cuidar.
Há um mês meu primeiro longa-metragem ‘Natimorto’ estreiou no festival do Rio. Num aterrorizante Odeon abarrotado mostrei pela primeira vez em público, para mais de 600 pessoas, o trabalho de 3 anos. Sem purismos e frescuras, achava que iria encarar esse momento com tranquilidade. Não foi nada tranquilo. Mesmo protegido numa sessão com muitos amigos e membros da equipe envelheci uns 5 anos. Todos muito emocionados no final da projeção, e embriagados no final da comemoração.
Depois veio o debate, no dia seguinte, de ressaca claro. Sala lotada, muitas perguntas. Muito boa a sensação de dominar as respostas de algo tão particular, não sabia o que poderia acontecer quando o filme saísse das minhas mãos. Ainda tinha São Paulo, a temida Mostra de SP, com seu público elitista e tão exigente. Sobrevivi a São Paulo também.
Tanto no Rio como em São Paulo houve a projeção de outro trabalho meu, dessa vez em parceria com o Giuliano Cedroni mostrei nos dois festivais o documentário ‘A Raça Síntese de Joãosinho Trinta’, edição de anos de pesquisa sobre o carnavalesco e base do meu próximo trabalho, um longa chamado ‘Trinta’, de ficção com elementos biográficos. O João esteve presente e foi homenageado. Nas duas sessões aplaudido de pé no final… sobrevivi também.
Já ia achando estranho tanta força num cabloco só quando na semana passada a febre finalmente deu as caras. De cabeça doendo fui ao médico que rapidamente identificou os sintomas e me entregou o remédio do momento. Uma semana depois, ainda em recuperação, entendi tudo. Quer dizer, tudo o que precisava entender agora. A força desse momento chamado estréia. Aliás, esse é o texto de estréia no blog da Ouro 21. Só tem mais um tamiflu na cartela… será que passo por mais essa?